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O ouro é frequentemente descrito como uma moeda de crise. No entanto, esta descrição é agora demasiado limitada. Cada vez mais bancos centrais consideram o ouro como uma componente estratégica das suas reservas cambiais. Já não se trata apenas de proteção contra a inflação ou de segurança em fases de mercado turbulentas, mas sim de independência geopolítica e da diversificação dos ativos estatais.
Esta evolução é particularmente evidente no exemplo da China. Enquanto a proporção de obrigações do Tesouro americano nas reservas cambiais chinesas tem diminuído continuamente ao longo de muitos anos, a proporção de ouro tem vindo a aumentar há anos. Esta evolução é representativa de uma tendência global.
O ouro possui propriedades que dificilmente qualquer outro ativo de reserva combina. Não depende da solvabilidade de um devedor, não acarreta risco de contraparte e é aceite mundialmente como um ativo líquido. Especialmente num período de tensões geopolíticas, de aumento das sanções e de elevado endividamento público, esta independência ganha importância.
Além disso, o ouro é valorizado independentemente das moedas individuais. Para os bancos centrais, isto significa uma estabilização adicional das suas reservas quando as moedas ou os mercados obrigacionistas ficam sob pressão.
O World Gold Council relata que os bancos centrais aumentaram as suas reservas de ouro, em média, cerca de 1.000 toneladas por ano nos últimos quatro anos. Isto corresponde a cerca do dobro da média da década anterior. No atual inquérito aos bancos centrais, 89 por cento dos bancos centrais inquiridos esperam um novo aumento das reservas globais de ouro nos próximos doze meses.
As compras comunicadas mostram também que países como a China, a Polónia, o Cazaquistão ou o Usbequistão, em particular, estão a expandir continuamente as suas reservas. Só em maio, foram compradas globalmente, em termos líquidos, 41 toneladas de ouro pelos bancos centrais.
| Evolução | Observação |
|---|---|
| Compras médias de ouro nos últimos quatro anos | cerca de 1.000 toneladas por ano |
| Expectativa de aumento das reservas globais de ouro | 89 % dos bancos centrais |
| Compras líquidas de ouro em maio de 2026 | 41 toneladas |
| Principais motivos | Diversificação, proteção contra crises, independência geopolítica |
Nos últimos dias, tornou-se também claro que o ouro continua a ter uma importância estratégica para os bancos centrais. O banco central sul-coreano anunciou, pela primeira vez em 13 anos, que pretende adquirir ouro diretamente a produtores nacionais. O objetivo é uma diversificação mais ampla das reservas cambiais e uma maior segurança de abastecimento.
Se o ouro assumirá um papel ainda mais forte no sistema financeiro internacional no futuro, permanece em aberto. No entanto, é certo que os bancos centrais de todo o mundo estão a orientar as suas estratégias de reserva a longo prazo e que o ouro ocupa um lugar fixo nessas estratégias.
A evolução sugere que o ouro já não é visto exclusivamente como uma proteção contra crises. Pelo contrário, está a tornar-se cada vez mais uma componente de reserva geopoliticamente neutra, capaz de criar confiança quando os ativos financeiros clássicos são mais fortemente influenciados por riscos políticos ou económicos.
Para os investidores, isto não é uma recomendação de compra. No entanto, mostra como as instituições estatais pensam a longo prazo e de forma estratégica sobre a preservação do património. Quem quiser compreender os mercados do ouro não deve, por isso, olhar apenas para o preço do ouro, mas também para o comportamento dos bancos centrais.
Mantenha a visão de longo prazo
O seu Helge Peter Ippensen